Pé equino

O pé equino carateriza-se por uma condição onde o calcanhar permanece elevado por consequência de uma hipertonia do Trícipe sural (gémeos e solear) e/ou de uma calcificação dos ossos do tornozelo. Esta limitação implica défice de mobilidade na dorsiflexão do tornozelo e, como tal, alterações nas articulações adjacentes e na coluna, assim como nos movimentos funcionais do individuo, essencialmente na marcha.

Pode ocorrer uni ou bilateralmente, sendo que, nesta última opção, a limitação tende a ser superior num dos pés.

O pé equino pode ter uma origem congénita, ou seja, está presente no nascimento, ou hereditária. Para além disso, pode ocorrer após um traumatismo que implique imobilização prolongada, uso de saltos altos de forma frequente, sendo ainda uma condição comum nos pacientes com Diabetes, pela sua afetação das fibras do tendão de Aquiles.

O tratamento passa por intervenção de Fisioterapia, onde se irá intervir no alongamento e flexibilidade dos músculos encurtados e no fortalecimento dos músculos antagonistas que se encontrem fracos. Para além disso, é fundamental o trabalho de proprioceção e o treino de marcha, assim como avaliar e intervir nas demais compensações adquiridas pelo paciente, quer no membro contra-lateral, quer na coluna.

No Centro CEREBRO podemos ainda recorrer ao sistema do Recoverix para membros inferiores, potenciando o trabalho convencional, assim como a neuroestimulação funcional.

Benefícios do PABLO na Esclerose Lateral Amiotrófica

Conforme descrito no artigo sobre os “Benefícios do RGS na Esclerose Lateral Amiotrófica”, a ELA é uma patologia neurodegenerativa e progressiva que afeta as células cerebrais e da medula espinhal responsáveis pelo controlo do movimento voluntário. Como sintomas principais, destacam-se os movimentos involuntários (fasciculações), fadiga e cãibras, além da possibilidade de ocorrer espasticidade, fraqueza ou atrofia muscular e alterações sensoriais diversas.

Através da terapia PABLO podemos obter uma avaliação inicial detalhada e quantitativa acerca de parâmetros como a força muscular, mobilidade articular e análise detalhada da marcha, o que nos permite, numa fase posterior, ter ferramentas reais de comparação da evolução da patologia e da reabilitação.

Como intervenção, é-nos possível o trabalho cognitivo-motor através da simulação dos demais movimentos funcionais inerentes às atividades da vida diária, como beber com um copo, subir e descer degraus, sentar/levantar da cadeira, conduzir um carro, entre outros, além da realização de tarefas cognitivas que implicam igualmente o trabalho de controlo motor para, por exemplo, selecionar um determinado objetivo do exercício através de sensores colocados no corpo do paciente.

De forma objetiva, o PABLO permite um trabalho completo de força muscular, controlo de movimento e postura, coordenação motora e proprioceção, equilíbrio, marcha e capacidades cognitivas, além de permitir o trabalho de controlo respiratório diafragmático, muitas vezes igualmente comprometido nestes pacientes.

Assim como com a terapia RGS, para além do contexto clínico, o paciente pode utilizar o sistema PABLO em contexto domiciliar, com supervisão e indicação do profissional responsável, potenciando o resultado da sua reabilitação e contornando possíveis entraves à terapia presencial.